“Memória Trem” quer resgatar o cotidiano do transporte nas Minas Gerais


A linha férrea que corta municípios faz parte de muitas vidas na Zona da Mata e do Campo das Vertentes. Atrás da preservação do patrimônio de histórias e objetos sobre o assunto, uma equipe formada por profissionais e estudantes de História, Arquitetura e Urbanismo, Turismo, Jornalismo, Artes e Design embarcou em uma viagem na região. Eles participam do programa “Memória ferroviária da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil na Zona da Mata de Minas Gerais: identificação, resgate e valorização do patrimônio cultural ferroviário material e imaterial nos caminhos mineiros da antiga  Superintendência regional 3 da Rede Ferroviária Federal S.A (R.F.F.S.A.)”.

O “Memória Trem”, como é conhecido, está percorrendo desde março de 2013 os municípios de Barbacena e Antônio Carlos, no Campo das Vertentes e Santos Dumont, Ewbank da Câmara, Juiz de Fora e Matias Barbosa, na Zona da Mata e esteve na cidade, no último final de semana, trazendo minicursos e oficinas para os participantes do “Vagão do Patrimônio”. Segundo Sérgio Cardoso Ayres, Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico e Gerente de Turismo da AGIR (Agência de Desenvolvimento em Integrado de Barbacena e Região), a busca veio para resgatar os objetos, os vestuários, as placas decorativas, bancos, mobiliário, e vários outros elementos que cercavam o saber fazer, e as histórias que cercavam o cotidiano da ferrovia nos municípios.

“Em todas as visitas realizadas, são ouvidos ex-maquinistas, pessoas que trabalhavam com manutenção ou que usavam os trens como meio de transporte, para resgatando o sentimento, a emoção e o complemento da ferrovia na vida das pessoas, pois em todo trem tem um coração humano batendo”, completou Sergio Ayres.

O 'Memória Trem' está realizando os trabalhos de campo e de aproximação com a comunidade, através das entrevistas, levantamentos e do evento 'Vagão do Patrimônio', que é voltado para todos aqueles que gostam da ferrovia, mesmo que não tenham trabalhado diretamente na área.

Em fevereiro, foram duas edições do 'Vagão do Patrimônio' em Santos Dumont e Barbacena. Realizados o minicurso “Memória e Patrimônio” e oficina “Trem de Afetos”, utilizando pintura, colagem, bordado, entre outras técnicas, os participantes fizeram uma viagem criativa baseada em histórias e vivências, pessoais e coletivas, a partir da forma como convivem com a ferrovia.

“Em cada cidade visitada, foram feitas várias entrevistas para a elaboração de fichas de inventário que caracterizem e contextualizem historicamente os bens culturais móveis e imateriais ligados à memória ferroviária. Ao final, serão elaborados cadernos com as informações de cada cidade, que serão entregues às administrações municipais para serem fonte de pesquisas tanto das comunidades quanto dos Conselhos Municipais de Patrimônio Cultural”, disse Ayres. 


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