Epcar: formadora de grandes patriotas
Há um mês das comemorações dos 66 anos de criação da Escola Preparatória de Cadetes do Ar – Epcar, republicamos artigo do secretário Chefe da Casa Civil, professor José Augusto Penna Naves, em que o mesmo aborda a instituição sediada em Barbacena.


Só há um caminho: para frente!

Nos últimos meses o Brasil tem vivido um ambiente de inquietação, fruto de um momento em que nosso modelo de democracia passa por duras provas. Ainda que o Estado de Direito e as instituições demonstrem solidez e disposição para repercutir os anseios da sociedade, elas próprias estão sob severa avaliação do povo que se manifesta livremente nas ruas e praças ou nas trilhas virtuais da internet.

Como educador, tento fazer uma reflexão isenta deste momento que pode ser uma oportunidade única de amadurecimento e consolidação do Brasil como a maior democracia do cone sul, ou o oposto: um mergulho profundo na desagregação e nos radicalismos que em nada nos ajudarão na construção do país sonhado por todos.

Ao me deparar nas redes sociais com comentários negativos sobre a tradicional Epcar, que há mais de meio século é uma referência na formação dos oficiais da Força Aérea Brasileira, só posso entender que tudo isso é resultado desse momento de ânimos acirrados. Do contrário, não haveria tanta repercussão para um vídeo clandestino mostrando alguns segundos de uma instrução militar e exibido pela “TV Carta Capital”.

Estou convicto de que o comando da Epcar jamais concordaria ao ultraje à dignidade humana. É evidente que se trata de um episódio isolado, onde os excessos estão sendo apurados. Por isso, aceitar como verdade absoluta generalizações é no mínimo injusto com a instituição, e mesmo, acreditar que nos quartéis a apologia à tortura é estimulada é o mesmo que aceitar que em todos os movimentos sociais existe doutrinação dogmática e é semeado o ódio entre as classes.

Logo, já avançamos muito para cair nessas teses conspiratórias e pouco razoáveis. Pessoalmente, desde menino, com os meus pais, frequento a Epcar e convivo com muitos ex-alunos, seus familiares, inclusive com alguns militares que atingiram o comando, bem como com professores e servidores, alguns de minha família e outros amigos de infância. Vários frequentam minha casa e com eles compartilho a amizade de seus familiares e nunca ouvi qualquer manifestação de apologia à violência.

Daí, não tenho dúvidas em afirmar que o pensamento da Casa é de uma Escola fundamentada nos valores do humanismo, da ética e da legalidade. Trata-se de uma escola estruturada a partir de doutrinas militares, mas a Escola Preparatória de Cadetes do Ar é e sempre será uma Escola com toda a abrangência do termo. E mais: formadora de grandes patriotas.

A Epcar dos grandes atos cívicos é a mesma dos belos espetáculos realizados em seu teatro, das excelentes palestras, dos eventos esportivos. É a Epcar dos portões abertos para comunidade, das inúmeras ações sociais e filantrópicas e do apoio incondicional nos momentos de emergência da cidade. Ações que emergem da sua função social e também do caráter e formação de seus componentes.

Daí reafirmo: generalizar, baseando-se em um ato isolado, não é justo para com uma instituição como a Epcar, tão presente na vida e na história recente dos brasileiros. Vale lembrar que há anos atrás, nossa comunidade se viu obrigada a se mobilizar pela sua reabertura, pois a mesma chegou a ser fechada pelo presidente da época, Fernando Collor, cassado meses depois.

Enfim, estamos convictos de que a maioria da opinião pública hoje está em um patamar mais elevado de informação e de conhecimento da realidade nacional. Sentimentos revanchistas não nos dizem mais nada. Portanto, é preciso franqueza e coragem para dizer que extremismos não podem ter espaço, seja de que lado eles partam, pois na verdade a nós só interessa um caminho para o Brasil: para frente!

É para lá que o país deve caminhar. E ponto final.


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