Obras de recuperação da Fazenda do Registro Velho
A empresa vencedora da licitação, coordenada pelo Iphan, foi a Minas Nova

Praticamente em ruínas, a sede da Fazenda do Registro Velho é um importante marco da história de Minas Gerais no Século XVIII

A Fazenda do Registro Velho, um dos marcos históricos mais importantes de Barbacena e Minas Gerais, teve as obras de recuperação iniciadas nesta semana. Através de um acordo entre o município, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o imóvel será reconstruído e futuramente adaptado para receber atividades de educação ambiental e patrimonial. A empresa vencedora da licitação, coordenada pelo Iphan, foi a Minas Nova, que instalou o seu canteiro de obras e começou os trabalhos na última segunda-feira, dia 29 de junho.

A recuperação é minuciosa, com uma nova configuração em busca de preservar o máximo possível da arquitetura original, boa parte perdida após duas tentativas frustradas pelo Iphan de proteger com coberturas de lona o monumento tombado em 2008. O trabalho de reconstrução é dividido em duas etapas: nesta primeira parte, haverá a recomposição do telhado e fixação dos pilares de apoio para permitir que o original não se degrade mais, e posteriormente, ao Município ficará tarefa de executar o projeto, criado pela empresa Gema Arquitetura e Urbanismo. O município de Barbacena, através da Diretoria de Cultura e Turismo da Agir e do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico (Compha), participou de várias reuniões com as empresas vencedoras da licitação e o Iphan em São João del-Rei e Belo Horizonte. “Estamos dando um importante passo. Felizmente, nossas sugestões de utilização do espaço interno foram acatadas”, ressalta o diretor de Cultura e Turismo da AGIR, Edson Brandão.

A intervenção da Prefeitura foi fundamental para que a fazenda, muito degradada, ganhasse novos contornos. Até então, era um imóvel particular, tombado pelo Iphan, sem que fosse possível a atilização de recursos públicos. “A Prefeitura entrou em uma negociação com a família proprietária, que cedeu uma parte do entorno e a casa em si, e, desta forma, o município pôde colaborar com o Iphan para que isso acontecesse. Do contrário, mesmo tendo os recursos, a obra não poderia ser realizada”, explica o diretor de Cultura e Turismo.

As obras do telhado e da estrutura ficarão prontas em 60 dias. E, em breve, o município terá acesso ao projeto para dar sequência à recuperação.

Novos rumos

Uma vez reconstruída, a sede da Fazenda do Registro Velho poderá se converter em um espaço de utilidade pública, através de parcerias para ser utilizado como um centro de educação patrimonial e ambiental. A proposta é que o projeto reconte a história da casa erguida no início do século XVIII e reforce a importância histórica e ambiental do Rio das Mortes, que passa perto do local. “É um marco muito relevante, por onde passaram viajantes do Caminho Novo, testemunha de diversos fatos históricos, como o Ciclo do Ouro e a Inconfidência Mineira. Por isso, a reconstrução da casa da fazenda é uma questão de honra para a preservação da memória e identidade de nossa região e Minas Gerais”, explica o arquiteto Sérgio Ayres, presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico.


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