Pesquisadores do Caminho Novo realizam encontro em Simão Pereira
A reconstrução da Fazenda do Registro Velho e o destino do Registro de Simão Pereira serão debatidos por autoridades, historiadores e memorialistas de Minas Gerais e Rio de Janeiro

Obras recentes na Fazenda do Registro Velho, em Barbacena. A casa que já pertenceu a um inconfidente e recebeu diversas visitas ilustres é um dos poucos remanescentes dos antigos postos de fiscalização do Brasil Colônia, em Minas Gerais

Pelo sexto ano consecutivo, um grupo de estudiosos da história, da geografia e dos aspectos humanos e sociais do Caminho Novo realiza um encontro para apresentação de trabalhos de pesquisa e debates sobre a preservação dos marcos históricos do antigo Caminho do Ouro, que ligava o interior de Minas Gerais ao litoral, no Rio de Janeiro. O encontro, que já passou por São João del-Rei, Barbacena, Conselheiro Lafaiete e Juiz de Fora, chega agora à cidade de Simão Pereira, com atividades programadas para os dias 28 e 29 de agosto, no Clube Esportivo Duarte de Abreu.

Pesquisadores independentes e ligados a universidades de Minas Gerais e Rio de Janeiro apresentarão ao longo desta sexta-feira (28) cerca de 10 temas entre cartografia, biografias, fazendas seculares e até a chegada da ferrovia junto ao traçado do Caminho Novo, também conhecido como Estrada Real. Porém, o tema de destaque será o destino dos dois Registros remanescentes, situados ao longo do Caminho que ligava Ouro Preto à antiga capital do Brasil Colônia. No sábado (29), estão previstas visitas a locais históricos da região.

O futuro dos Registros em debate

Segundo o médico e pesquisador de história regional, Luiz Mauro Andrade da Fonseca, um dos organizadores do encontro, o risco de desaparecimento dos Registros deverá ter um destaque especial no evento, pois somente em Barbacena e Simão Pereira ainda resistem estes antigos postos de fiscalização, onde se fazia o controle de passagem de viajantes e mercadorias que circulavam no Caminho Novo. “O Registro de Barbacena já está em ruínas e o Registro do Paraibuna, em Simão Pereira, apesar de ser uma edificação mais sólida, corre o risco também de desabar”, constata o estudioso.

Os representantes das Prefeituras de Barbacena e Simão Pereira encerrarão o primeiro dia do evento apresentando propostas de preservação dos monumentos. No caso de Barbacena, Edson Brandão, Subsecretário de Cultura, e Sérgio Ayres, do Conselho do Patrimônio Histórico da cidade, apresentarão em primeira mão o projeto de recuperação da casa criado pelo escritório Gema Arquitetura, sob encomenda do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Ainda segundo Brandão, o IPHAN, por determinação do Ministério Público Estadual está custeando obras emergenciais para cobertura definitiva da casa que ao ser reerguida, deverá ser um centro de educação patrimonial e ambiental. Um acordo assinado entre os proprietários da casa histórica e o Prefeito Toninho Andrada, em 2014, está permitindo que o poder público possa atuar com recursos na reconstrução da imóvel que foi considerado patrimônio histórico nacional em 8 de junho de 2000.


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