Barbacena: 224 anos de “FelizCidade”


Neste mês de agosto, a cidade completou 224 anos. Na Sessão da Câmara Municipal, alusiva a data, em nome do governo municipal usou da palavra o secretário-Chefe da Casa Civil, professor José Augusto Penna Naves, que resumiu o seu pronunciamento em três artigos intitulados “Barbacena: 224 anos de “FelizCidade”, quando destacou vários fatos na pessoa de alguns presentes, como os desembargadores Doorgal Gustavo Borges de Andrada, Adilson Lamounier, Walter Luiz de Melo, José Antônio Braga; das professoras Zenaide Vieira Maia, Zélia Beatriz Correia; do empresário Antônio Chala Sade; dos vereadores Flávio Barbosa, Amarílio de Andrade, Gracia Araújo, Marilene Franco; e do ex-vereador Jair dos Santos     

O poeta, escritor e médico Paulo Roberto Maia Lopes, Secretário da Academia Barbacenense de Letras, enviou o seguinte e-mail para a nossa redação: “Ao professor José Augusto, meus efusivos parabéns pela sequência de artigos “224 anos de FelizCidade” apresentados em seus comentários na Rádio 93 FM e que estão sendo publicados no Jornal Praça Pública. Material de indiscutível valor histórico e amplamente informativo sobre a atualidade barbacenense. Texto que honra e enriquece o nosso jornalismo”, pontuou Maia Lopes. Abaixo publicamos os três artigos citados.

 

Barbacena: 224 anos de “FelizCidade” – PARTE I

Segundo o prefeito Toninho Andrada, Barbacena, uma das mais antigas vilas da Comarca do Rio das Mortes, sob as bênçãos de Nossa Senhora da Piedade, desde 1720, tem suas terras e sua gente consagradas à padroeira de Minas Gerais, vindo desde então contribuindo para a História de Minas Gerais e do Brasil.

Marcaram as comemorações de seus 224 anos de emancipação política uma Sessão Solene na Câmara Municipal, presidida pelo vereador Flávio Barbosa, sendo que este ano a cidade recebeu dois importantes presentes: o Espaço Ponto de Partida, que tem a frente a diretora teatral Regina Bertola, que transformou o antigo conjunto arquitetônico da antiga Sericícola em uma área bucólica. E a nova Companhia Independente de Bombeiros Militar, por ato Coronel BM Luiz Henrique Gualberto Moreira, Comandante Geral do Corpo de Bombeiro Militar de Minas Gerais, que aumentou o efetivo e a área de jurisdição da unidade sediada em Barbacena. Em alusão a data, o prefeito me delegou a missão de fazer honrosos pronunciamentos, na Câmara e no Corpo de Bombeiros.

O Brasil, como uma jovem nação, mal atingindo metade de um milênio, já conquista sua posição de destaque no conceito das nações de grande relevância para o mundo contemporâneo. Suas gigantescas dimensões continentais, suas fontes ricas de matérias-primas, sua natureza exuberante e acima de tudo, seu povo miscigenado, cosmopolita, criativo e determinado forjam a estrutura que permite ao Brasil, se erguer, se reinventar e sobreviver às crises e dificuldades que o avançar da vida e da História lhe impõe.

O Brasil hoje demonstra maturidade e capacidade de julgar e reconhecer quem de fato lhe é benéfico, diferenciando quem luta por seu desenvolvimento dos que se apresentam em seu nome, mas que apenas deseja se aproveitar de suas riquezas em benefício próprio ou de interesses inconfessáveis.

Sobretudo como educador observo que palavras como civismo, como patriotismo, culto à nossa bandeira e aos símbolos pátrios, atos cívicos, a rememoração de nosso passado de conquistas e lutas, há tempos vêm sendo banidas das escolas, desacreditadas, até menosprezadas, por revanchismos ideológicos ou simples desconhecimento das forças que construíram este país. Neste aspecto, nós Mineiros temos do que nos orgulhar, pois todas as vezes que Minas foi chamada a contribuir para a construção que molda a face determinada e pujante do Brasil, estivemos no lado certo da luta.

Dos inconfidentes, ao Presidente Antônio Carlos, que dá nome a nossa Unipac, de Juscelino a Tancredo Neves, cada um à sua maneira e no seu contexto histórico ajudou a trazer o Brasil até o patamar que hoje se encontra. Saudosos mineiros, como Sobral Pinto e Itamar Franco serão lembrados na história por pugnar pelas liberdades e pela consolidação da Democracia, que nos permite escolher os governantes e também afastar aqueles que se desviam da conduta de servir ao País e não servir-se dele!. E ponto final!

 

Barbacena: 224 anos de “FelizCidade” – Parte II

Evoquei uma personalidade do passado para de forma simbólica ilustrar a importância de cada um dos homenageados no aniversário da cidade, representantes este ano, daqueles que fazem a nossa história e que amanhã serão parte da história, no avançar inexorável do tempo...  

Ao comandante da Epcar, Celestino Todesco, com quem convivemos quando da reengenharia da solenidade do Dia da Vitória da 2ª Guerra Mundial, destacamos que pelo seu patriotismo, tal evento voltou a ser um marco em nossa história. Fato é, que foi em nossa terra, que o adolescente estudante da Epcar moldou a sua ilibada formação como militar, exemplo para os seus alunos, futuros oficiais da FAB. Ao brigadeiro evocamos Alberto Santos Dumont, nascido em terras compartilhadas com Barbacena e Palmira, hoje cidade que traz o seu nome, uma honra que transcende as montanhas barbacenenses, pois Santos Dumont sempre será cidadão do mundo, o “Pai da Aviação”, o homem que deu asas aos homens....

Ao comandante Carlos Bratiliere e ao major Ângelo Pádua, amigos pessoais, e ao Ten. Cel. Clóvis Pimenta, que têm relevantes serviços prestados à PMMG, a cidade e a Minas, evocamos aos três, o mesmo personagem: João Guimarães Rosa. Porque ele próprio tem três aspectos que o ligam à nossa história: aqui foi capitão médico do 9º Batalhão, quando decidiu fazer concurso para a diplomacia do Brasil e servindo na Alemanha de Hitler, ajudou perseguidos a alcançarem a liberdade. Além, é claro, do seu fabuloso universo literário, que juntou a sabedoria popular, a erudição e a inteligência. Três características que o aproximam dos nossos três militares condecorados: o servir, a ação, e a arte que transforma e exalta o ser humano...

Ao Juiz Militar Sócrates dos Anjos, que conheci Comandante Geral da PMMG, evocamos Joaquim José da Silva Xavier. Quando fui o orador da solenidade de entrega da Medalha Tiradentes, a maior comenda da PMMG, destaquei que para orgulho do nosso povo, hoje o Alferes seria membro da 13ª Região Militar, lembrando que por muitas vezes ele passou por nossas ruas e praças a pregar a liberdade e pagou com a própria vida o seu sonho. Barbacena ostenta em sua denominação o algoz do Alferes e ao mesmo tempo, na sua bandeira o braço do “Mártir da Liberdade”, que aqui foi enterrado. São forças antagônicas de uma mesma história...

Ao Desembargador Wanderlei Paiva, ex-juiz da comarca e ex-colega de magistério na Unipac, evocamos o espírito libertário do grande barbacenense Sobral Pinto. O homem que não tinha preço e não impunha preço ao seu sacerdócio de advogar. Um exemplo necessário no Brasil de hoje que mendiga honra e dignidade enquanto contabiliza os bilhões da corrupção. Mas que graças a Deus está sob o olhar vigilante da lei...

À Doutora Alzira Gonçalves Silva, que convivemos como Juíza diretora do Poder Judiciário, quando da construção do prédio do Fórum, no 1º mandato de Toninho Andrada, evocamos a Profa. Maria Lacerda de Moura, a barbacenense que iniciou no Brasil o movimento pela emancipação política e social da mulher brasileira. Uma grande defensora dos Direitos Humanos e até hoje lembrada com uma mulher à frente do seu tempo... 

Ao saudamos os 350 anos da Saint-Gobain, empresa criada na França para fazer os espelhos do Palácio de Versalhes, na pessoa do diretor Wiltson Vanier, evocamos Mariano Procópio Ferreira Lage, nascido em uma fazenda onde hoje é a Epcar. No império, ajudou a desenvolver parte do Estado do Rio de Janeiro e a nossa Zona da Mata. Visionário, trouxe para a região o sopro inicial do empreendedorismo, sendo o construtor da 1ª Estrada de Rodagem do Brasil, a União Industria, que ligava Minas ao Rio de Janeiro. E ponto final!

 

Barbacena: 224 anos de “FelizCidade” – Parte III

No aniversário de nossa cidade recordemos que o nosso bicentenário Palácio da Revolução Liberal, sede da Câmara Municipal, foi palco e cenário de atos históricos desde o Brasil colônia. A sua tribuna, desde 1791, jamais foi silenciada, seja por reis ou presidentes, e dela muitos brasileiros de valor bradaram por causas revolucionárias, por Justiça e por novos horizontes para Minas e o Brasil.

A nossa Casa Legislativa viu os inconfidentes barbacenenses se insurgirem contra excessiva carga tributária portuguesa e assistiu também a partida de alguns deles, como o proprietário da Fazenda da Borda do Campo, José Ayres Gomes que foi expulso do Brasil e morreu em exílio, na África.

O padre Manoel Rodrigues que por ser religioso respeitado não foi para o cárcere mas permaneceu anos na clausura e no silêncio imposto. Também da sacada da nossa Câmara Municipal se viu passar o cortejo sombrio que trouxe um dos braços do Alferes Tiradentes para ser colocado em um poste. Uma demonstração de poder e opressão da coroa portuguesa, para lembrar aos brasileiros quem de fato mandava no Brasil.

No nosso parlamento, Dom Pedro I buscou apoio para a independência em 1822. Neste parlamento, 10 anos depois, D. Pedro foi recebido com indiferença e sinos com dobres de finados, pois quem jurara defender o Brasil e dar-lhe a sonhada liberdade já não cumpria sua promessa. E por isso mereceu o desprezo dos mineiros, sempre politizados e atuantes.

Ainda na nossa Câmara, a República se fez ouvir e mudar a configuração política do Brasil. Também na nossa Câmara a Revolução de 30 e a de 64, com seus caminhos e descaminhos foi apoiada e criticada quando assim nossos parlamentares o entenderam. E há duas décadas, a nossa Casa Legislativa apoiou a campanha das Diretas Já, marco da redemocratização do país dos nossos dias.

São posicionamentos que legitimaram a nossa Câmara a ser a caixa de ressonância do pensamento e aspirações do povo que democraticamente delega ao Legislativo a atuação em seu favor e de acordo com sua vontade expressa por meio dos votos. Casa legislativa da qual tive a honra de atuar como vereador no passado recente e que conta hoje com quinze edis que honram a nossa história. E ponto final!  


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