O Futuro da Juventude depende dela mesma
Artigo do professor José Augusto Penna Naves


Para esta Conferência Regional da Juventude da Micro-Região da Mantiqueira, solicitou-me o senhor prefeito Toninho Andrada, na qualidade de Secretário Chefe da Casa Civil, que elaborasse um artigo para ser lido na abertura deste importante evento.  De mero expectador da história ou simples aprendiz diante de um mundo onde tudo aparentemente já estava estabelecido, o jovem brasileiro mostrou com as manifestações populares de três anos atrás, que ele projeta-se para o futuro. Isso foi dito em alto e bom som nas ruas de todo o Brasil, de forma espontânea, direta e sem intermediários.  

Quando digo sem intermediários, refiro-me ao fato de que a sociedade civil, nestes atos, representada em sua maioria pela juventude, não tem esperado por políticos e nem por partidos políticos, não esperou pela esquerda e nem pela direita, não esperou por ninguém, senão ela própria para dizer que o atual modelo de representatividade está se exaurindo, está chegando ao esgotamento, para que novas formas de expressão popular possam surgir.

Não que não precisaremos mais dos partidos políticos, das instituições representativas, pois estas são inerentes ao regime democrático, que cabe a todos nós defender com ardor. Mas capazes de dominar novas ferramentas de comunicação, como a internet, cientes de que seu protagonismo não precisa de cargos ou plataformas político-partidárias, estruturas de classe, ou sindicais, os jovens em franca maioria, tem ido para as ruas conclamar a sociedade para uma nova visão perante um cenário nacional que clama por evolução.

Isso na prática é a “Juventude em rede para a cidadania', que vocês construirão aqui, ao longo deste dia, colocando no tablado de discussão um mundo de coisas importantes para vida de todos. O diálogo na Conferência precisa ser real e franco. Os governos em geral vivem a dificuldade de representar o consenso já que a sociedade na sua diversidade tem interesses também diversos e não é fácil conciliá-los todos.

Em especial, os municípios, as cidades brasileiras estão vivendo um momento muito difícil, pois ao longo dos anos, o Brasil foi fazendo uma perigosa inversão de valores. Apesar do Estado brasileiro ser um grande arrecadador de impostos, e isso não é novidade para ninguém, a divisão desse dinheiro público, que nós chamamos de “bolo tributário” vem sendo cada vez mais mal feita.

O Governo Federal fica com a maior parte, os Estados com uma parcela menor e os Municípios ficam com as migalhas. Em seguida, o Governo Federal cria grandes políticas públicas, nem sempre capazes de atender as regionalidades e as características próprias da diversidade brasileira e o resultado é esse que conhecemos: são cidades sucateadas, incapazes de resolver questões elementares como buracos nas ruas, atendimento básico de saúde, escolas caindo na cabeça de alunos e professores. Não que isso justifique a incompetência e os maus governantes municipais, mas enquanto as cidades brasileiras ficarem atuando como meros operadores de políticas pré-fabricadas pelos Governos federal e estadual, o cenário dificilmente corresponderá aos anseios da nossa sociedade.

Se uma cidade do tamanho de São Paulo sofre com a incapacidade de atender seus cidadãos em questões básicas como mobilidade urbana, o que dirá uma cidade de pequeno porte com poucas oportunidades de arrecadação própria, sendo que a maioria vive dos recursos do repassados pelo governo Federal do Fundo de Participação do Município. Além disso, também através de seus Conselhos Municipais, é mais fácil para a população de uma cidade fiscalizar o uso do dinheiro público, pois os governantes, em tese, estão mais próximos, ao contrário dos demais que estão mais nos nossos aparelhos de TV do que na nossa vida diária.

Por fim, lembro que é consenso que Barbacena é uma exportadora de talentos, pois muitos jovens acabam optando por buscar em outros lugares a oportunidade que a cidade nem sempre oferece, mesmo sendo reconhecido que Barbacena ainda mantém  boa qualidade de vida. No entanto, há muito o que se fazer para que, em especial o jovem, possa se realizar na própria cidade. Estes desafios não são exclusivos de Barbacena, são anseios nacionais, mas cabe a nós buscar nossas soluções.

É por isso que todos estão aqui hoje nesta Conferencia Regional da Juventude. Não só para constatar os problemas, mas principalmente para encontrar as soluções. Com maturidade, vontade de trabalhar e mudar a própria realidade. Deixo a vocês o meu abraço, os parabéns pela iniciativa e uma frase do escritor Oscar Wilde: “Os velhos acreditam em tudo, As pessoas de meia idade suspeitam de tudo, Mas são os jovens que sabem tudo”.


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