Bolsa Família fica sem reajuste e pode ter cortes
A crise econômica, a baixa arrecadação e os cortes de despesas promovidos pelo governo do PT começam a afetar o Programa

Na prática ocorrerá um congelamento, com perdas inflacionárias que não serão repostas

Pela primeira vez, o repasse do governo federal para o programa Bolsa Família, criado em 2004 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não terá reajustes. Os repasses ao programa no ano de 2015 não ultrapassarão os R$ 27 bilhões destinados ao programa em 2014. Na prática ocorrerá um congelamento, com perdas inflacionárias que não serão repostas.

Neste ano, uma média de R$ 2,3 bilhões foram repassados ao programa por mês, para os quase 14 milhões de famílias que possuem os requisitos para receber o Bolsa Família. Até o último mês de setembro, R$ 20,8 bilhões haviam sido pagos. Com os últimos três repasses mensais, o ano deverá fechar com R$ 26,9 bilhões destinados aos beneficiários. Desde 2010, o reajuste anual tem ficado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. A crise econômica, a baixa arrecadação e os cortes de despesas promovidas pelo governo da presidente Dilma começam também a afetar o Bolsa Família, principal programa social petista.

Além do congelamento em 2015, os R$ 28,8 bilhões previstos para 2016 não deverão se concretizar, como consequência de novos cortes no Orçamento Federal que serão anunciados nos próximos dias pela presidente Dilma Rousseff.

Para 2016 o Bolsa Família poderá sofrer cortes. O relator geral do Orçamento Federal, deputado Ricardo Barros (PPPR), anunciou esta semana que pretende cortar R$ 10 bilhões do Bolsa Família do próximo ano para ajudar a fazer frente ao déficit de R$ 50 bilhões nas contas públicas.

O corte que o deputado vai propor no Bolsa Família, uma das maiores vitrines eleitorais do PT, corresponde a 35% do total previsto para o programa em 2016. Ricardo Barros disse que o corte no principal programa de transferência de renda do governo, do qual é um dos vice-líderes na Câmara Federal, será possível por três principais fatores: há fraudes; 72% dos beneficiários trabalham e poderiam eventualmente abrir mão da renda extra; e pela não inclusão de novas famílias no programa.


Busca de Notícias