Professora da rede municipal palestra sobre Emeric Marcier e estreita laços na Romênia


A professora da rede municipal Luciana Andrea Araújo Murta apresentou, no dia 13 de março, na Romênia, palestra sobre o consagrado pintor e muralista romeno Emeric Marcier, naturalizado brasileiro, que, por anos, fixou residência em Barbacena.

A palestra, que surgiu como desdobramento do projeto da educadora "Conferindo visibilidade a Emeric Marcier", foi realizada nas dependências da Casa do Brasil, que é um departamento da Universidade Babes-Bolyai, localizada na cidade natal de Marcier, Cluj-Napoca. A percepção da ausência de informações acerca de Marcier na Romênia fez com que toda a produção do projeto fosse direcionada à Casa do Brasil e, assim, foi construída uma ponte cultural entre os dois países por meio da arte de Marcier, resultando no convite feito pelo reitor da universidade, Ioan Aurel.

A sala do evento foi decorada com fotos dos trabalhos realizados pelos alunos ao longo do projeto e também algumas fotos de Marcier. O Presidente da Casa do Brasil, Virgil Mihaiu, fez a abertura, apresentou a professora Luciana Murta e leu um texto enviado por Matias Marcier, filho de Emeric Marcier. Houve tradução simultânea para o romeno pela professora Cristina Petrescu e o reitor foi representado por Ilona Dranca. As bandeiras da Romênia e do Brasil foram colocadas uma ao lado da outra, simbolizando a união entre os dois países.

A palestra teve como norte a autobiografia de Marcier, intitulada "Deportado para a Vida", e foram pinçados alguns depoimentos tocantes para guiar o tom da fala. Foi traçado um panorama geral do contexto em que se inseriu a Segunda Guerra Mundial: a questão da mudança de identidade de Imre Racz para Emeric Marcier e o esforço para manter-se ligado às origens ao conservar, mesmo que de forma velada, as mesmas letras de seu nome, criando o anagrama Marcier; sua chegada ao Rio de Janeiro, em 1940, e a teia de amizades que se formou e tornou seu exílio menos sofrido; seu esforço em compreender a paisagem e povo brasileiros; além de seu modo muito particular de descrever a trajetória da história da arte no Brasil.

A professora encerrou sua fala dizendo que estava devolvendo, in memorian, um filho que se ausentou não por vontade própria, mas pela imposição de uma guerra, destacou o florescimento e frutificação de sua obra em solo brasileiro, que não lhes foi dado conhecer - mas guardando, ainda assim, a essência das sementes que foram lançadas em solo romeno - e que, daquele momento em diante, Brasil e Romênia estariam para sempre atados pela grandiosa obra de Emeric Racz Marcier/ Imre Racz.

Os participantes foram presenteados com tirinhas coloridas de papel, contendo mensagens de amizade, que foram produzidas pelos alunos da turma 703 do Colégio Tiradentes da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, sob a coordenação da professora Liliana Venâncio.

Conferindo visibilidade a Emeric Marcier - O projeto teve início em agosto de 2016 e tem como objetivo tornar Marcier e sua obra visíveis e acessíveis não somente à população de Barbacena, mas também à coletividade, dada a sua complexidade e singularidade. Sob a condução da professora Luciana Murta, diversas ações foram realizadas para o estabelecimento de uma rede de interação e de compartilhamento de conhecimentos acerca de Marcier.

Houve a produção de 4 vídeos que estão sendo divulgados no Brasil, Alemanha, França e Romênia. Palestras foram proferidas na UNIPAC, no CESA e, agora, na Casa do Brasil.

As Escolas Municipais Crispim de Paula Nésio e Visconde de Carandaí participaram do projeto em 2017 e 2018, respectivamente, com produção de releituras de obras e de vídeos. A escola da comunidade dos Costas da Mantiqueira teve duas alunas premiadas no concurso de desenho alusivo ao centenário de nascimento de Marcier em 2016. Na escola da comunidade quilombola dos Candendês, além de um projeto multidisciplinar, que envolveu todos os professores do 6° ao 9° anos, também houve a criação do Jardim Romeno em honra a Marcier, inspirado no Jardim Botânico da Universidade Babes-Bolyai em Cluj-Napoca. A professora também apoiou o Colégio Aprendiz durante a VII FECIB, em 2017, no stand "As cores da resistência".


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