Entrevista: Infectologista fala sobre ômicron e vírus da Influenza


O aumento de casos do vírus da Influenza e também da Covid-19, motivada pela variante ômicron, tem sido percebido em Barbacena através de boletins diários. Com isso diversas dúvidas surgem. O Infectologista do município de Barbacena, Dr. Herberth Fernandes, explica as características desses vírus e como evitar a doença.

Confira a entrevista na íntegra.

Prefeitura: Nos primeiros dias de janeiro já tivemos mais casos positivados do que todo o mês de dezembro. O que a população pode esperar daqui para frente com essa variante ômicron? A gente já pode dizer que ela está presente entre nós?

Dr. Herberth: Nós estamos em uma situação de duas doenças ao mesmo tempo estarem acontecendo. A gente está com uma alta taxa de pessoas com síndrome respiratória e a gente tem registrado tanto casos de Covid quanto influenza, o que acaba que da sobrecarga em pessoas com síndrome respiratória. A gente já tem esses três casos de ômicron confirmado, mas a nossa expectativa é que essa variante já esteja circulando até um pouco mais tempo aqui em nossa cidade, porque os estudos tem mostrado que a variante ômicron provoca uma doença de alta transmissibilidade, ou seja, ela transmite muito fácil, por isso estamos tendo tantas pessoas com casos de covid. Porém, em pessoas vacinadas, que já tiveram a doença, os sintomas tem sido leves, tanto que a gente tem tido um aumento na demanda da realização de exames e pronto-atendimento, mas a gente não tem essa demanda de internação e terapia intensiva. Então a expectativa é que nessas próximas semanas nós tenhamos muitas confirmações de casos de covid-19 e influenza.

Prefeitura: Quais são as medidas que a população deve adotar? Essas medidas servem tanto para Covid quanto para Influenza?

Dr. Herberth:  Isso vale para qualquer doença respiratória, seja Covid, Influenza, adenovírus, qualquer doença viral e respiratória. As medidas são basicamente o uso de máscara e no momento em que estamos hoje não cabe mais a utilização de máscara de pano, deve-se usar máscara cirúrgica, que tenha pelo menos uma camada de filtro, evitar aglomerações em ambientes fechados. E além de higienizar a mão o tempo todo, a medida mais importante é a vacina. Precisamos que as pessoas estejam completamente vacinadas, quando a gente fala que as vacinas nos protegem contra as formas mais graves, eu não estou falando de uma dose. Eu estou falando de pelo menos duas doses e preferencialmente três doses para aqueles que já tem permissão de fazer a terceira dose.

Prefeitura: Quais são os sintomas mais comuns da variante ômicron e como ela pode diferenciar de outras doenças respiratórias?

Dr. Herberth: Isso é muito difícil, pois são doenças muito parecidas, só pela apresentação clínica é muito difícil saber com qual doença ela está. Por isso a gente recomenda que qualquer sintoma respiratório, mesmo que seja uma rinite, mesmo que seja um resfriado comum, que a pessoa se isole, observe se os sintomas vão persistir e se persistirem, no terceiro, quarto ou quinto dia realize o teste. O teste é que vai diferenciar se é Covid ou Influenza. Agora, em relação a sintomas, diferente do ano passado em que havia mais variantes delta, a gente tinha muito mais perda de olfato, perda de paladar, os pacientes evoluíam com a gravidade muito maior do ponto de vista respiratório, demandavam muito a internação. Para a ômicron a gente tem visto que não, a gente tem basicamente sintomas de via aéreas superior, então é coriza, dor de garganta, tosse, mas que normalmente evoluem de forma mais leve que não precisam de internar.

Prefeitura: Atualmente foi prorrogada a campanha de vacinação da Influenza, que também tem uma nova variante que está circulando (H3N2 cepa Darwin). Como é a reação da vacina diante desse cenário?

Dr. Herberth: A vacina da Influenza contém as principais cepas que estão circulando naquele ano. De fato, a vacina que todos vacinaram no último ano, não contém o componente H3N2 cepa Darwin que está causando maior sintomas no momento. No entanto é importante estarmos vacinados contra a Influenza para proteger das outras variantes, pois não existe são H3N2, existem as outras cepas da Influenza A que estão circulando. É importante estar vacinado pois a gente impede que outras cepas continuem circulando, continue nos adoecendo, até que a gente tenha a nova vacina que deverá sair em março ou abril e que já contenha a nova cepa. Então a orientação é: quem não vacinou a Influenza, vacine-se, para prevenir das outras cepas e quem já está vacinado aguarde até a nova vacina chegar com a nova cepa.   


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